27.12.07

Quem eu sou para você?


Sou extremamente reservado e fazer um blog com comentários pessoais é muito difícil para uma pessoa tímida como eu, mas vou aproveitar as férias e o tempo livre para soltar os cachorros. Não meu deixem falando sozinho... Assim vou me sentir aliviado, pois estou escrevendo e ninguém esta lendo.

Bom, falo isso que esses dias refleti o quanto somos várias caras, podendo isso ser um reflexo nosso para os outros ou dos outros para nós. Os tímidos possuem isso mais aflorado, só revelam aquilo que interessa no momento, mas não é algo somente seu.

No primeiro é engraçado perceber o quanto que deixamos revelar de nós mesmos. No trabalho, por exemplo, sou um, na faculdade sou outro, em casa mais um e ao mesmo tempo todos são eu, todos se complementam.

Li um livro tempos atrás que não lembro o autor, mas se chama: O que é realidade? E sugere que a realidade não existe, o que existe são verdades e que nos adaptamos no meio dessas verdades.

Não falo com o meu pai a muito tempo, ele mora muito longe de mim e o pouco que sabe a meu respeito e através de minha mãe. Nesse período de final de ano, falando com minha mãe ela passou o telefone para ele, para que trocássemos algumas palavras... Nessa hora foi o ápice dessa reflexão toda! Perceber o quanto meu pai sabia pouco sobre mim, foi algo assim angustiante... Há muito tempo não reforçava mentiras como a de que vivo sozinho ou de até mesmo, ocultar muitas coisas do meu cotidiano que hoje são tão comuns.

Claro que muitas coisas são passadas para adaptação da realidade do momento, mas outras para construir no outro aquilo que não somos ou aquilo que somos menos.

Bom, a segunda é a questão de sermos para os outros, aquilo que eles querem e não o que realmente somos. Isso é definido por vários motivos: Pela paixão, ou o desejo de ter um bom amigo, ou idealizar na sua vida o que seria para a vida do outro, ou pior, não aceitar níveis de realidade diferentes e querer que tudo fique moldado a sua forma de pensar. Nessa questão não temos muito controle sobre essas perspectivas do outro, há não ser, quando percebemos isso e alimentamos como é também o meu caso com o meu pai. Mas às vezes percebo que muitos tiram conclusões a meu respeito, certas por vezes, exageradas por outras e quando falam de mim geralmente eu me choco, será que alimento?

Mas de qualquer forma o oposto também ocorre, esses dias fiquei chateado com uma amiga, pois ela havia me ligado e eu comentei que não estava bem, mas o motivo da ligação dela era algo mais direto, falou o que queria falar e desligou. Aquilo me deixou muito chateado... Puxa, nem para ligar no dia seguinte e perguntar como estou? Mas nessas horas, nós não nos colocamos na realidade do outro. Ela também durante a sua ligação estava com certo problema, ela poderia ter pensando a mesma coisa sobre mim e assim vai, ou seja, além de duas caras somos egoístas.

O que é legal disso tudo é perceber que o mundo é muito maior do que aquilo que esta em nossas cabeças e que a percepção do outro é fundamental para a percepção de nós mesmos. É difícil? Como eu sei! Mas, um dia eu vou ser gente grande.



2 comentários:

Artur Malheiro disse...

Uma amiga costuma dizer que temos módulos para cada situação. É o módulo carnaval, o módulo férias, o módulo trabalho, etc. É como você diz: em cada local somos uma pessoa diferente, mas somos tudo aquilo junto. Viver é tão simples que chega a ser difícil, às vezes. Interessante, por que no meu blog escrevi sobre mudanças, o que não deixa de ser, de certa forma, um complemento a esse seu texto. Dá uma passadinha por lá. Em tempo, feliz 2008 e espero que mesmo com todas as idiossincarsias consigamos um pouco de coerência. Hehehe ah! Espero que esteja melhor! Abçs!

Anderson Castedo disse...

Amigo Róbson, e aí, como estamos de 2008! Te confesso que li seu blog, através da indicação do Lord Português, ainda em 2007. Róbson, velho de guerra, discordo radicalmente de vc e do Lord quanto a modelos de vida, ou melhor dizendo posturas para cada tipo de ocasião. A coisa, ao meu ver, funciona assim: ou escolhemos o lado do mundo (suas convenções, protocolos e caprichos) ou nos escolhemos. Se o mundo acha certo determinado tipo de comportamento ou opções que não "transgridam" leis estáveis, devemos ter em mente as conseqüências que vamos assumir ao admiti-las p/ nós. Jogar o jogo do mundo é inevitável, nascemos por ele, mas acho que já é possível compreender que não estamos COM ele (só se quisermos). Quando usamos posturas para esta ou aquela ocasião, confirmamos, senão, essa rotina cotidiana que parece não ter fim e que tanta confusão faz e traz. Não conheço a sua história com seu pai, mas talvez em algum momento ele tenha escolhido o mundo a você (chato, não é?)... mas ser protocolar, convencional, falar o que o mundo quer ouvir é opção pelo "mundo" também. Aí é a repetição pela repetição... corroborando essa dinâmica frustante e vazia de SER e ESTAR na VIDA. A Vida é a essência, o mundo é pano de fundo. O personagem principal da sua vida é você mesmo. Amigo velho, força e coragem sempre, grande 2008! Anderson/UGF

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